Objetivos

O Guia de Autoproteção para Desastres e situações de Anormalidade foi elaborado com a finalidade de proporcionar a toda a população condições de uma preparação mínima para enfrentar as consequências de um desastre em suas vidas.

Diante da ocorrência de desastres é extremamente comum encontrarmos pessoas que não conseguem manter-se livres de grandes transtornos mesmo ao transcorrer poucas horas após o impacto. Devido à falta de preparação famílias inteiras podem ficar sem água e sem comida em muito pouco tempo, passando a depender das ações assistenciais do município e do Estado.

Com o estudo e a aplicação prática deste guia será possível formar famílias mais resilientes e mais conscientes de sua própria responsabilidade em relação a sua segurança. E o resultado dessa atitude de autoproteção será a existência de pessoas com capacidade de retomar suas vidas normais com mais facilidade, refletindo diretamente em seu desempenho profissional, reduzindo também o impacto sócio econômico.

O vento sempre será mais fraco para aquelas pessoas que estiverem preparadas para enfrentar a ventania.

A ocorrência de desastres e de outras situações de anormalidade a que estamos submetidos parece ter aumentado em frequência e intensidade, mas isso não é completamente verdade, pois o que de fato sofreu sérias alterações foi a nossa vulnerabilidade. O crescimento populacional e a expansão urbana das cidades sem o desenvolvimento planejado e adequado forçaram ocupações antrópicas em locais inseguros e muito vulneráveis.

Algumas pessoas têm notado que é importante estar preparado para reagir positivamente a essas situações, minimizando o impacto desses acontecimentos no cotidiano, assim como os danos e prejuízos, mas essa percepção de risco ainda é muito pequena e deve ser amplamente difundida para que as comunidades possam sentir-se seguras e resilientes.

A preocupação com a prevenção e a preparação para casos de desastre apenas serão efetivas quando aprendermos a observar os perigos que existem ao nosso redor e os riscos aos quais estamos submetidos quando expostos a eles.

Conforme o artigo 144 da Constituição Federal do Brasil, a segurança pública, exercida para preservação da ordem pública e da incolumidade (isenção de perigo, segurança) das pessoas e do patrimônio, é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos.

Assim, evidenciamos que é incoerente, e por que não dizer inconstitucional, esperar que o Estado posicione sobre todos nós um enorme guarda-chuva que nos protegerá de todas as intempéries e que assim nossas vidas e nossos bens estarão preservados.

Ante a ocorrência de um desastre, o mais importante a ser preservado é a vida humana, mas algumas pequenas atitudes podem auxiliar no restabelecimento da normalidade econômica ou na manutenção de um equilíbrio mínimo para dar continuidade à vida diante das perdas materiais, o que por sua vez também se faz imprescindível para a sobrevivência.

Portanto, este guia pretende trazer informações a todos os cidadãos, com a finalidade de desenvolver a sensibilidade que lhes permita estar preparados para enfrentar situações difíceis com o menor impacto possível, despertando sua capacidade de resiliência e a assunção da responsabilidade que lhes cabem por sua própria segurança, sem esperar apenas por auxílios externos para restabelecer-se.

Segundo a regra da análise, de René Descartes (1596-1650), devemos dividir nossos problemas no maior número possível de partes, para melhor resolvê-los. Logo, se colocarmos o filtro dessa regra para enxergarmos os problemas sociais relacionados à segurança da população em casos de desastre e situações de anormalidade, veremos que a maneira mais fácil de chegarmos a uma solução efetiva é cada cidadão entender seu compromisso individual de colaborar com sua própria segurança, compreendendo que não há estrutura governamental que consiga resolver todos os problemas.